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A CRISE DE 1929 SOB O OLHAR DA LITERATURA E DO CINEMA

 

Por: Sociologia na sala de aula

 

     Vivemos sob o signo de uma profunda crise econômica que teve início nos EUA em 2008 e – como um efeito dominó – se espalhou por outros países e longe está de ser superada. A burguesia procura transferir o ônus da crise para os trabalhadores. Basta olhar o que está acontecendo em Portugal, Espanha, Grécia e entre outros. Nestes países os governos aplicam duros planos de austeridade que consistem em congelamentos ou mesmo corte de salários, retirada de direitos trabalhistas e políticas sociais, aumentos de impostos etc. Muitos analistas econômicos comparam esta crise com a de 1929 – seguramente a maior de todos os tempos do mundo capitalista.

     A crise de 1929 e seus desdobramentos foi tema de um belo romance do escritor estadunidense John Steinbeck, chamado as “Vinhas da Ira”. O livro narra à saga de uma família de pequenos agricultores que expulsa de suas terras pelos credores parte em direção à Califórnia - uma espécie de Canaã para as vítimas da grande depressão - em busca de emprego e um lugar para recomeçar sua vida. Em meio a esta procura desesperada por emprego alguns personagens percebem que é necessário se organizar e lutar contra a fome, o desemprego, a miséria. Em uma bela passagem do romance um personagem diz a um grupo de sem terras e desempregados: “Eu perdi as minhas terras; um trator, um só, tomou- mas... Aí está o nó, ó tu que odeias mudanças e temes revoluções! Porque aí começa aquilo que tu temes... Porque aí se transforma o” ‘Eu perdi minhas terras’ em ‘Nós perdemos nossas terras’. E desse primeiro ‘Nós’ nasce algo muito perigoso... Mas tu não poderás saber disso. Pois que a qualidade de ‘dono’ mergulha-te sempre no ‘eu’ e sempre te isolado do ‘Nós’. Curiosamente Jonh Steinbeck nunca foi um escritor ligado à esquerda. O final do livro é comovente.

      Escrito em 1939 o romance foi levado à tela por Jonh Ford em 1940. O filme também se chama as Vinhas da Ira – recentemente lançado em DVD.

     Ao contrário do livro o filme tem uma visão otimista do futuro. Graças ao presidente Franklin Delano Roosevelt e o seu plano econômico, o New Deal, a crise será superada e os trabalhadores terão uma vida melhor – esta é a mensagem final do filme, no meu entender. O que não deixa de ser uma propaganda do governo do presidente Roosevelt.

      Isto - a confiança em governos salvadores - transportado para as eleições na democracia burguesa faz do ato de votar um único meio de transformar a sociedade.

    Os ideólogos da burguesia procuram incutir na cabeça dos trabalhadores que as eleições – somente elas – mudarão suas vidas, desde que eles votem conscientemente e fiscalizem os seus candidatos. A ideologia subjacente neste discurso é de que o voto consciente é capaz de operar grandes mudanças na vida das pessoas. Para a burguesia é fundamental que os trabalhadores canalizem seu potencial revolucionário para as eleições – forma segura de manter sua hegemonia.

    Penso diferente. Acredito que a transformação da sociedade será obra dos trabalhadores organizados e mobilizados.

Só com lutas a vida irá mudar!

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