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PODER LOCAL E AS ELEIÇÕES

   No Brasil, a disputa envolvendo o poder local ganha força a partir da Constituição de 1988, quando se inicia o procedimento de descentralização abarcando temas como educação e saúde que começaram a fazer parte da gestão pública dos municípios. Desde então, governos municipais vêm conhecendo uma ampliação progressiva do encargo ao ter que procurar soluções em áreas como saneamento básico, política ambiental e segurança pública. Além disso, projetos como geração de trabalho e renda, qualificação profissional e desenvolvimento econômico cujo ato até pouco tempo atrás eram discutidas em âmbito federal, tendo no limite uma corresponsabilidade dos Estados.

    Ganhar a eleição indicando que há de lance um acordo das ações locais, com as ações gerais, me parece o alvo mais imaginável e neste aspecto, nenhuma pessoa pode recusar que nas últimas eleições, houve por parte dos candidatos um grande empenho. Apesar de ser prosaico esse esforço, percebe-se também que ele foi muito mais alentado no período eleitoral, ora para exasperar os feitos da administração e divulgar que essa articulação é possível, ora para denunciar as não realizações dos adversários, a impressão que permanece é a de que está bastante claro que todos têm a absoluta dimensão que as eleições municipais colaboram para a construção de cenários, especialmente o cenário estadual, notadamente, quando se trata da principal capital brasileira.

    A apreciação pelo momento eleitoral que se avizinha, podemos dizer que governantes e direções partidárias compreendem concretamente a dinâmica do poder local e entenderam os acenos cada vez mais crescentes do eleitor mostrando que a melhoria da qualidade de vida deve ter reflexos no local onde ele mora, trabalha, estuda e se relaciona, ou seja, ele quer sentir mais próximo de si os benefícios das mudanças anunciadas em nível estadual e federal.

    Perante tais caminhos, exclusivamente resta acreditar que a manifestação do eleitor nas urnas em diversos municípios do Brasil, nos consinta criar uma esperança de que mesmo havendo esse refluxo nas conversas sobre poder local, será fatal nas próximas escolhas, a consignação de afinidade entre local, estadual e federal. Se não for este o anseio de candidatos, governantes e seus respectivos partidos políticos, pelo menos torcemos para ser cada vez mais o desejo do eleitor.

 

Fernando Alves – Me. Ciência Política USP

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