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BREVES PALAVRAS AS PROFESSORAS

 

Por: Sociologia na sala de aula

 

Mas é preciso ter força

É preciso ter raça

É preciso ter gana sempre

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Mas é preciso ter manha

É preciso ter graça

É preciso ter sonho sempre

Maria, Maria (Milton Nascimento).

                                            

     Estima-se que as mulheres formam mais de 80% do magistério do ensino público. Os baixos salários as forçam lecionar em duas redes de ensino - Municipal e Estadual - e em Escolas Particulares ao mesmo tempo. E têm aquelas que cumprem uma jornada de 64 aulas semanais na Rede do Ensino Público Estadual.

     Lecionam sob condições absurdas como salas superlotadas, falta de recursos didáticos e pedagógicos, sem lousa, sem giz, instalações inadequadas, assédio moral e, não raro, convivem com a incompreensão e desrespeito daqueles que, no interior da escola, mais deveriam compreendê-las e respeitá-las que são os seus próprios alunos.

     Mas a faina de uma professora não termina aí. Quando chega em casa, exaurida, ainda  tem que cuidar dos filhos, dos afazeres domésticos, preparar aulas, corrigir provas e trabalhos. Mal adormece e já é hora de despertar para mais um dia de uma extenuante rotina. E, como uma espécie de Sísifo dos Tempos Modernos, lá vai ela empurrar sua pedra montanha acima. Sísifo foi castigado pelo Deus Zeus. A professora é castigada pelo governador do Estado.

     Nesta exaustiva rotina, mais dia ou menos dia, a professora adoece. As doenças mais comuns, segundo os pesquisadores ligados à saúde do trabalho docente, são a Síndrome do Túnel do Carpo e do Manguito Rotator, epicondilite, calos nas cordas vocais, Síndrome de Bournout, estafa, estresse, depressão.

       Em 2008 - no governo de José Serra, São Paulo - foi aprovada a Lei 1041. Esta lei limita as faltas médicas em seis ao ano e uma ao mês. Seria negligência não ressaltar que o principio desta lei é achar que a professora abusa dos atestados médicos. Se isso fosse pouco, somente quem tem jornada completa pode se ausentar por até três horas para ir a uma consulta médica. Em outras palavras, a professora está submetida à crueza de uma lei que determina quando e quantas vezes pode-se ficar doente como se fosse possível legislar sobre a saúde de um ser humano.

      À época o chefe de gabinete da SEE, o Sr. Fernando Pádula, declarou à Folha de São Paulo: "Havia muito abuso, por isso mudamos a legislação”. Mais claro impossível.

     Para estes burocratas, que estão longe do chão da escola, não são as condições de trabalho adversas, as classes superlotadas, o assédio moral, a estafante, longa e tripla jornada de trabalho, a desvalorização social e salarial que fragilizam e adoecem as professoras. Elas não estão doentes. "Ficam doentes" por falta de um compromisso maior com a educação. Desse modo, as gestantes amargam outro sofrimento. Não têm como fazer um pré-natal digno e decente. E quando os filhos nascem às adversidades aumentam. As escolas não possuem creches e as professoras mães encontram enormes dificuldades para amamentar seus filhos e acompanhá-los em seus primeiros passos.

        Nem mesmo a licença maternidade é respeitada. O governador do Estado entrou, no STF, com uma ADIN –Ação Direta de Inconstitucionalidade- contra a lei que regulamenta este direito às funcionárias públicas em estágio probatório. Se Alckmin ganhar a ação o período da licença não será considerado para efeito de efetivação. Elas terão que trabalhar mais seis meses para garantir sua condição de efetivas ou a tão sonhada estabilidade via concurso público.

      Para as professoras categoria O - precariamente contratadas - o grau de sofrimento é ainda maior. Elas nem sequer podem utilizar os serviços do IAMSPE- Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual.

      Pensando nos dramas das colegas professoras, me vêm à memória a bela música de Milton Nascimento "Maria, Maria" e seus vigorosos versos; “Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana, sempre".

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