
POR QUE É QUE SÓ AMÉLIA É QUE ERA MULHER DE VERDADE? ‘Ai que saudades da Amélia- Ataulfo Alves- 1942'
Por: Sociologia na sala de aula
O dia 08 de março, talvez, seja a única data em que muitos homens se lembram de suas companheiras, pois o nosso dia a dia está repleto de machismo e canções que nos remetem a cometer esse tipo de atitude (machista).
A clássica canção “Ai, que saudades da Amélia”, representa bem esse pensamento machista imposto em nossa sociedade. Ora, será que só a mulher que lava, passa, cozinha, faz tricô, obedece ao marido sem reclamar, etc., é que é mulher de verdade? O que dizer então das mulheres trabalhadoras? Das professoras que tem dois cargos (prefeitura, Estado e Particular), além do serviço doméstico aos finais de semana? O que dizer das mais de 130 trabalhadoras que morreram carbonizadas em 1911 na cidade de Nova Yorque? Já que só Amélia era mulher de verdade o que eram essas mulheres?
Antes de darmos resposta a todos esses questionamentos, é preciso ressaltar que nos dias de hoje, as mulheres buscam cada vez mais seu espaço na sociedade, de modo que a frase “lugar de mulher, é onde ela quiser” a cada dia que passa se torna uma realidade mais presente entre o público feminino.
É bem verdade que ainda há muito por se fazer, pois mesmo que pouco a pouco as mulheres estejam conquistando seu espaço na sociedade e no mercado de trabalho (principalmente), elas ainda ganham menos do que os homens para desenvolverem a mesma função (fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/03/salario-das-mulheres-ainda-e-30-menor-que-o-dos-homens.html) e, como se isso não bastasse, o problema se agrava quando se trata de salários entre mulheres negras e brancas (fonte: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Epocanegocios/0,,EDR85550-16628,00.html).
O filme “ revolução em Dagenham” representa muito bem esse problema ainda existente em nossa sociedade. O mesmo conta a história de um grupo de 187 mulheres que eram pagas abaixo do salário dos homens e que trabalhavam sob condições precárias. Em uma das cenas, a representante das operárias está na mesa de negociações e seu patrão lhe diz algo parecido com isso:
(Patrão) – O trabalho de vocês não é especializado!
No mesmo momento a representante do grupo pega uma sacola de retalhos, despeja-os em cima da mesa e diz:
(Operária) – Já que meu trabalho não é especializado, então costure esses retalhos!
Claro que o patrão não conseguiu, mas mesmo assim se manteve intransigente e o resultado foram as históricas greves protagonizadas por essas operárias e, que posteriormente lhes dariam a vitória.
Com tudo isso que falamos acima, agora é preciso voltar ao nosso tema central, ou seja, a Amélia. Muitos questionamentos para uma simples resposta: Ainda bem que Amélia morreu!
Por que Amélia morreu? Considerando que nas últimas décadas o movimento feminista vem ganhando forças no Brasil e se consolidando enquanto instrumento de luta entre as mulheres, podemos concluir que a idealização de que a “mulher verdadeira” que antes era pautada na mulher que faz apenas os serviços domésticos está mudando cada vez mais.
Que Amélia não volte das cinzas para nos atormentar!!!
